segunda-feira, 7 de abril de 2008

Diário de um voluntário

Domingo, 06 de Abril de 2008

0:30h – Após um dia de muito trabalho e outros afazeres, fui dormir pensando em acordar lá pelas 10:00h, uma vez que teria que ir para a igreja apenas depois do meio dia.

5:00h – O celular toca e eu acordo meio desorientado, tremendo com o frio da chuva que caia. Era um amigo da igreja informando que uma família da Ilha de Santa Luzia estava com a casa sendo invadida pela água das chuvas.

5:30h – Já de pé, uso o celular para tentar conseguir um veículo e convocar mais alguns voluntários para ajudar na mudança.

6:30h – Após algumas ligações já havia conseguido reunir pelo menos 10 homens para o trabalho e 1 caminhão havia sido providenciado.


7:00h – Ao chegar no local, presenciei uma verdadeira calamidade. A rua, situada numa depressão, já apresentava água a altura dos joelhos.

7:15h – O líder d’ A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (os Mórmons) responsável por Mossoró, convocou os homens de todas as capelas para ajudar não só a primeira família que havia ligado, mas todos aqueles que estavam passando pela mesma situação.

7:30h – Após algumas ligações, mais de 50 homens confirmaram sua presença. A Neto Auto Peças, empresa local, disponibilizou um caminhão para ajudar na remoção dos pertences das famílias.

8:00h – O primeiro caminhão deixou as casas alagadas transportando móveis, roupas e eletrodomésticos até um local seguro. Outros veículos estavam chegando para continuar o trabalho.

9:30h – A prefeitura enviou alguns veículos juntamente com o pessoal do Tiro de Guerra para auxiliar na remoção. A água já começava a atingir o meio da perna.

10:00h – Um dos caminhões de apoio atolou na lama e enquanto parte dos homens tentava removê-lo, outros continuavam a carregar geladeiras, guarda-roupas e outros móveis pesados para uma rua lateral.

13:00h – Pausa para o almoço, um descanso rápido e um banho para aliviar o calor.

15:00h – Em algumas ruas mais próximas ao rio já era impossível transitar, a água chegava à altura do peito, quase atingindo a copa das árvores.


18:00h – Com a chegada da noite, outro inimigo surgiu: mosquitos aos milhares. Um dos voluntários cedeu um pouco de repelente para minimizar o problema.

19:00h – Uma nova equipe de voluntários da Igreja Mórmon chegou ao local para revezar com aqueles que chegaram mais cedo.

20:00h – Fatigado pelo cansaço, me despedi do pessoal e fui para casa tomar um banho prolongado e comer um alimente quente, mas o pensamento continuou voltado para o sofrimento das famílias e para a bondade dos voluntários que serviram ao próximo neste dia.

20:30h – De casa, continuei auxiliando através do telefone, realizado ligações para contatar os lideres das equipes e informar as famílias dos voluntários sobre suas localizações.

22:15h – O sono tomou conta de mim. Em minhas orações pedi por uma noite sem chuvas e para que mais pessoas pudessem abrir seu coração e auxiliar àqueles que perderam o que tinham por causa da enchente.


Segunda-Feira, 07 de Abril de 2008

0:40h – A última equipe de voluntários mórmons deixava a Ilha, fatigados pelo cansaço e com pesar no coração pela horrível situação das famílias que ainda estavam sobre risco de alagamento.


NOTAS

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Os Mórmons) possui um programa de auxílio humanitário que em 2007 atendeu centenas de chamados relativos a enchentes, terremotos, incêndios, furacões, fome e epidemias em 90 países, beneficiando mais de cinco milhões de pessoas.


Um dos projetos chama-se Mãos Que Ajudam que aqui em Mossoró já realizou ações junto ao Hospital Tarcísio Maia (2006 e 2007) realizando confecção e doação de lençóis, auxílio na limpeza de áreas internas e externas, na Maternidade Almeida Castro (2007) com a doação de kits para bebês (fraldas, xampu, roupas, etc.) e em escolas (fotos) e praças públicas (fotos), promovendo a limpeza e reforma destas.

O próximo projeto será realizado no dia 1º de Maio de 2008, junto às maternidades da cidade e convida qualquer pessoa que deseja ser voluntário a unir-se neste dia para servir ao próximo.


Aqueles que não puderem participar pessoalmente poderão fazê-lo através da doação de itens para os kits de bebês (fraldas descartáveis, sabonete, xampu, pomada para assaduras, roupas para bebês, cobertores, etc.) e brinquedos infantis (para todas as idades). Não são aceitas doações em dinheiro.

Se desejar obter outras informações, visite www.maosqueajudam.org.br ou entrem em contato com o Professor Abrahão.

Obs.: As fotos das enchentes são ilustrativas, pois não levei minha câmera, mas publicarei as que eu conseguir.

Um comentário:

Ricardo Julio disse...

Fala amigão.

Fiquei muito satisfeito em ver o povo ajudando.
Infelizmente eles passam por isso por causa de políticas erradas no que tange à questão ecológica e também à social.

SE TIVESSEM feito a dragagem do rio...

SE TIVESSEM evitado a poluição...

SE TIVESSEM retirado a população ribeirinha para locais mais seguros antes da inundação... (tiveram vários anos para isso)

SE TIVESSEM seguido o que o IBAMA diz com respeito às margens dos rios, que devem conter no mínimo 50 metros de mata ciliar...

TALVEZ não estivessem acontecendo esses problemas.

O "povo" dizia que não haveriam mais inundações depois da tricotomização (os três canais) do rio. Taí a resposta da natureza.

Só pra constar: Os "Desbravadores" não seriam os jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia?